A sociedade civil há muito tempo vem se organizando de diversas formas, com os mais diversos interesses. Nas últimas décadas com a evidenciação do direito humano e valorização das minorias esse acontecimento tomou formal institucional e organizou-se pra poder defender os interesses comuns de pessoas que similarizadas por um objetivo decidiram agir em conjunto pra promoverem seus interesses comuns.
Esses eventos cresceram sobremaneira e tem atingido também as organizações religiosas. Este processo normal na sociedade vem requerendo mais qualificação, transparência e lisura nos procedimentos. Um tipo de organização religiosa sobretudo tem sido afetado por este aspecto da modernidade: As Igrejas.
Aquilo que, antes, tinha um teor meramente confessional, vocacional, agora, visando atender a modernidade precisa revestir-se de toda a formalidade e profissionalismo que o tema requer afim de garantir sossego e fidedignidade ao escopo formal que envolve a fé cristã no Brasil.

No mundo empresarial, essas exigências foram mais acirradas por questões óbvias de mercado e concorrência e isso qualificou e gerou modelos de negócio e instituições comerciais que hoje servem de inspiração operacional e jurídica para as Igrejas. Uma dessas figuras, ou ferramentas, é a união formal, ou FUSÃO. Uma união entre empresas com fins lucrativos e econômicos possui entre outros objetivos, a viabilização do agregamento de inteligências, competências especificas e recursos econômicos para fortificar sua capacidade de produção de riquezas, gestão de recursos ou assimilação da concorrência cada vez mais exigente e inovadora. Todo esse contexto tem feito com que as empresas com fins de lucro do mercado gerem cada vez mais riqueza econômica e financeira.
As igrejas, visam como premissa básica a riqueza espiritual, o despertar da vocação divina no ser humano, a viabilização da realização de uma obra eterna de alcançar os inalcançáveis, do resgate de pessoas e da designação prática do amor ao próximo. Assim, a estrutura necessária não é menos exigente quanto a seriedade, transparência e qualificação de seus agentes de governança.
A sociedade, sobretudo os menos favorecidos vem encontrando força e poder de crescimento na ação cooperativa. Essa realidade tem chegado às Igrejas, mesmo as que doutrinariamente divergiram doutrinariamente no passado hoje veem a necessidade iminente de caminhar juntos, coadunar suas forças e otimizar seus objetivos para um caminho com menos equívocos. O lviro de Eclesiastes nos persuade que “… é melhor serem dois do que um…” corroborando com a descoberta do sentido eterno da parceria organizacional
Há quem pergunte: É possível que organizações religiosas se fundam? Se tornem uma e caminhem como uma só entidade?
Do ponto de vista legal, não há na legislação vigente sobre Organizações Religiosas, a impossibilidade de uma fusão institucional e patrimonial. Pelo contrário, respeitados os entramos da prática legal, as entidades envolvidas só tem a ganhar. Do ponto de vista econômico, não paira questão sobre a saúde e bons frutos da união de entidades filantrópicas.

Viabilidade jurídica
A lei nº 6.404/76, parcialmente alterada pela lei nº 9.257/99, regula em seu capítulo XVIII figuras de mudanças na estrutura jurídica de uma empresa, que analogamente podem servir como eixo de ação para as Igrejas no Brasil. Podemos destacar:
1. Transformação Institucional:
Trata-se da mudança do tipo, ou personalidade juridica da instituição. Posso citar como exemplo uma sociedade limitada transformar-se em uma sociedade anônima ou uma entidade sem fins lucrativos transformar-se em uma empresa com finalidade de lucro (evento que vem acontecendo no brasil com as instituições de ensino superior);
2. Incorporação Institucional:
Trata-se da absorção de uma instituição por outra de mesma natureza ou de natureza similar. No caso empresarial, por conta da operação societária, a incorporadora absorve os direitos e obrigações da empresa incorporada. O mesmo paradigma, socialmente justificável pode abranger entidades sem finalidade de lucro;
3. Fusão Institucional:
Trata-se da união de duas ou mais instituições, dando forma a uma nova sociedade, diferente essencialmente das primeiras e que lhes sucederá em todas as suas operações, direitos e obrigações;
4. Cisão Institucional:
Trata-se da transferência de parcelas do patrimônio de uma instituição para uma ou mais instituições, constituídas para esse fim ou anteriormente existentes, gerando a extinção da empresa “cindida” ou particionada.
A única limitação e diferença das entidades sem fins de distribuição de lucro para as que possuem esse fim é seu objetivo que deixa de lado a esfera individual da produção de riqueza para um individuo ou grupo de individuos para a produção de riquezas diferentes (sociais, morais, espirituais) para a coletividade. Quanto ao uso das boas ferramentas e estratégias de gestão pra valorizar e engrandecer o trabalho sem finalidade de lucro nada há que nos desencoraje. Podendo inclusive contar com o Novo Código Civil brasileiro que exige de uma entidade sem fins de lucro que direcione seu patrimônio, no caso de extinção à uma outra entidade congênere.

Isso nos demonstra, total viabilidade jurídica e operacional para a aplicação dessas ferramentas e estratégias nas mudanças de estrutura jurídica e instituição da entidade filantrópica.
A forma como vamos operacionalizar isso deve ser permeada pela boa vontade, alegria e entusiasmo peculiar aos processos de mudanças, principalmente por naquilo que consideramos ser as Igrejas os valores eternos transcendem os materiais, aquilo que é intangível fala mais profundamente com a alma humana do que o enriquecimento financeiro. Justamente por isso as ferramentas capazes de garantir excelência na produção de riquezas materiais são exigidos dos gestores que pretendem gerir as riquezas mais valorosas.
Para meditação:
Lucas 16:10-13
“10Quem é fiel no pouco, também é fiel no muito, e quem é desonesto no pouco, também é desonesto no muito.
11Assim, se vocês não forem dignos de confiança em lidar com as riquezas deste mundo, quem confiará as verdadeiras riquezas a vocês?
12E se vocês não forem dignos de confiança em relação ao que é dos outros, quem lhes dará o que é de vocês?
13″Nenhum servo pode servir a dois senhores; pois odiará um e amará outro, ou se dedicará a um e desprezará outro. Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro”.


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